domingo, 10 de abril de 2011

Marcas

Sou cheia de marcas e tenho o hábito de classificar minhas marcas como visíveis e invisíveis.

As visíveis me lembram sempre das coisas ruins e às vezes até algumas boas lembranças vem delas, como a cicatriz na perna que lembra meu primeiro tombo de bicicleta, que lembra também da sensação incrível de liberdade que senti nas minhas primeiras pedaladas.

Tem as cicatrizes de catapora, que lembram minha mãe brigando comigo pra que eu não coçasse tanto e me avisando que elas deixariam marcas pelo meu corpo para sempre.Tenho tbm a cicratiz na minha coxa, no formato da boca do cachorro do meu primo. O Guto, isso me faz lembrar das brincadeiras de pega-pega ( acabei pisando no cão, o que deixou ele muito bravo ¬¬)

Tem também uma marca nos joelhos  que me lembra um acidente que sofri na esteira da academia. Me lembra a dor imensa que senti e os dias que fiquei de "molho" por conta disso, mas que serviu de alerta.

E por aí vai...E aí vêm as invisíveis... aquelas que, às vezes, só nós conhecemos.Como o meu primeiro beijo, o primeiro sorriso da primeira afilhada, o medo que senti no meu primeiro dia na escola vendo minha mãe ir embora e me deixando ali sozinha, a primeira decepção amorosa. A dor de perder pra morte, um pai e recentemente um irmão que até então foi o mais difícil de todas as perdas. Sem contar os avós, tios.Os sustos que levei nessa vida, as mágoas. O sentimento de poder e o de impotência. A alegria de um amor correspondido, bem como a dor da separação e da distância. As marcas do amor imenso que sinto pela minha família, dos momentos maravilhosos que passamos juntos e os nem tão bons assim, além do sentimento de que por eles sou capaz de morrer, sem medo.Somente quando eu olho para as minhas cicatrizes, eu vejo o quanto o tempo correu. Acredito que somos feitos de marcas, como se fossemos livros em branco esperando pra serem escritos pela vida. As visíveis todo mundo vai ver ou, quem sabe, podemos disfarçá-las de algum modo para que ninguém as perceba. Já as invisíveis, talvez as compartilhemos com alguém ou as manteremos só pra nós, mas todas elas serão a impressão do que fomos ou seremos nesse mundo.

Anjo bom, continue comigo.

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