sexta-feira, 25 de março de 2011

Boa tarde, boa noite, desculpe!


Engraçado como tem coisas que a gente não esquece...



Devia ter uns cinco anos de idade e estava no pré-primário. Minha melhor amiga se chamava Vanessa. Todo fim de aula era uma festa porque ficávamos brincando no parquinho do colégio com os outros alunos enquanto esperávamos nossas mães chegarem para nos levarem pra casa. E digo “nos levarem” porque era uma luta pra que nos fizessem desistir dos brinquedos. “Ah, mãe, só mais 5 minutinhos!” – (percebo agora que a luta dos 5 minutinhos é infindável. Hoje em dia ela é travada entre mim e meu despertador.)

Enfim, em uma dessas folias, minha amiga e eu estávamos na fila do escorregador quando um guri folgadíssimo veio e a empurrou, tomando seu lugar. Diante daquilo, como nossa capacidade de argumentação ficava em segundo plano e nossos extintos em primeiro, o que foi ela fez? Deu-lhe uma mordida com toda vontade do mundo no braço! Eu caí no riso, ele no choro e ela voltou pra fila. O problema é que nossas mamães já haviam chegado ali e, para nossa infelicidade, presenciado a cena.
Curioso como a linguagem corporal diz tudo em alguns momentos. Pela maneira como a mãe da Vanessa se aproximava, saímos rapidamente de perto dos coleguinhas, porque sabíamos que boa coisa não viria.
Ela chamou o motivo da discórdia, que ainda estava meio choroso e falou: “Vanessa, peça desculpas pra ele.” – “Mas, mam...” – “Vamos, Vanessa!” – “Desculpa.” disse minha amiga fazendo força pra não chorar. “E agora você pra ela.” O menino se desculpou e logo saiu correndo. Nem deve ter prestado atenção no que falou. Eu fiquei ali, parada, sem poder fazer muito pra ajudar.

No caminho de volta pra casa, perguntei pra minha mãe: “Por que a Vanessa teve que se desculpar? Ele mereceu.” – Minha mãe é católica, mas brinco com ela que sempre tentava seguir os ensinamentos de Buda com relação à nossa educação: “Não é porque ele agiu de uma forma errada que a Vanessa vai estar certa em agir de uma forma errada também, Márcia.”
Eu fiquei em silêncio e minha mãe feliz, porque toda vez que isso acontecia a resposta havia sido satisfatória. “Mas...” - minha mãe olhou pra mim – “... ela não queria se desculpar de verdade. Isso não é ruim?” – “Chegamos, vai almoçar, vai Márcia. Tem tua sobremesa favorita hoje.” Isso também funcionava pra me fazer ficar feliz e satisfeita.
rsrsrsrs
Mas....
.

No entanto, pedir desculpas e fazer as pazes depois que crescemos é mais complicado. Até certa idade falamos “Sinto muito” mesmo quando não sentimos, só porque sabemos que “é a coisa certa a ser feita” e porque é o que esperam que façamos. Depois aprendemos que o poder da palavra DESCULPA pode ser muito maior, aí começamos a utilizá-la também como uma arma, uma justificativa... E então ela perde o valor. Assim como muitas outras palavras que deveriam ser especiais e que por mau uso tornaram-se banais. Mas eu tenho essa teoria (tenho muitas, aliás). Quando erramos e magoamos alguém – e infelizmente na maior parte das vezes é alguém que amamos – é nosso dever e nosso direito tentar corrigir o que fizemos de errado. Em situações como essa, um “Me desculpe”, quando realmente queremos que a pessoa nos desculpe ou um “Sinto muito”, quando sentimos de verdade aquilo que foi dito ou feito, é o que há de mais perfeito nesse mundo. É tudo o que precisamos dizer e, provavelmente, tudo o que a outra pessoa precisa ouvir.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Os melhores



Hoje ouvi uma moça dizer que tem uns 20, 30, 40 melhores amigos. Será mesmo? Tomara que sim. Sortuda ela, se tiver.
Eu sou de poucos amigos. Conheço muita gente, vivo cercada de pessoas, mas amigos de verdade, daqueles que você pode contar seus segredos, chorar suas mágoas, dar bronca, pedir colo...são poucos.
Mas isso não me chateia, porque eles são "OS" melhores.
São meus apoios, com quem divido meus melhores e piores momentos. Nas alegrias, nas tristezas. Os laços que nos une faz tudo isso ser mais profundo e mais verdadeiro.
Meus melhores amigos, me aguentam, me suportam, me ajudam, me amam, me odeiam, me dão chocoalhões, me fazem rir, me fazem chorar, me pedem carinho, me dão a mão.

São poucos, porém, os melhores.

Boa noite meu anjo bom, obrigada por me proteger.