
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça naquina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma amiga da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudadede uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos receio. Doem essas saudades todas. Saudade, não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber, não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ele está mais belo. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
By:ChambinhO
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